Jiin- Fúria de Felipe Watanabe

Jinn – Fúria

Olá Amigo Leitor !

jiinJiin é uma daquelas publicações que você pode ter certeza de que sofreria muito ao saber de sua existência e não pudesse lê-la. Eu tive a grata surpresa de ser uma das melhores coisas que eu li nestes últimos anos. E ao longo deste post vou tentar te explicar os motivos. Eu não sei se irei conseguir, porque foi uma excelente experiência e é lamentável não ter a continuação ainda. 

Eu conheci Jiin por acaso em um evento aqui em São José dos Campos. Iria fazer uma mediação no palco com um desenhista que era conhecido por desenhar o Flash, Cyborg e os Novos Titans pela DC e ter passado pela Marvel em Homem de Ferro. Ainda não conhecia seu trabalho, mas fiquei bem curioso já que ele tinha toda esta bagagem. Fui apresentado ao seu criador, Felipe Watanabe e achei o cara tremendamente simpático. Logo de cara já abriu aquele sorriso enorme, muito gentil e me apresentou seu projeto autoral: Jiin ! A primeira vista o visual já impressiona, no traço dele fica mais impressionante ainda. Tenho a impressão de ter re-encontrado uma veia artística perdida a um bom tempo ao ser apresentado ao Jiin.

Quem é Jiin ?

posterPrimeiro vou te contar quem é o tal Jiin. Este nome pequeno tem uma força enorme. Jiin é o nome de um kata do karatê. Uma sequencia de movimentos. Pra mim remete também ao final de gaijin ( estrangeiro ), e como ele é um guerreiro, me lembra Sayajin, a raça dos guerreiros do planeta Vegeta do anime Dragon Ball. E “jin” com um “i” apenas, significa “pessoa“. Todas as minhas percepções me soam ótimas quando se lê a HQ. Todas fazem jus ao personagem.

Jiin é um mecânico ( sim, pasmem ) que tenta sobreviver a um mundo que passou por um apocalipse demoníaco. O ano é 2068 e a uns bons anos antes, o inferno chegou à Terra e os demônios dividem a paisagem desértica com os poucos humanos sobreviventes. E como não poderia deixar de ser, existe uma “Resistência” à estes invasores e Jiin é tipicamente o Lobo Solitário. Não se encaixa na resistência e tem seu próprio jeito de fazer as coisas, de lutar contra os diabos. Tudo isso sem super poderes. E isso se dá através de um ringue, onde demônios e humanos se degladiam para o deleite de uma plateia em que sobreviver é o que conta neste momento. Os demônios ainda não apresentaram poderes mágicos, e não creio que eles vão se enveredar pra isso. Mas sinto que existe uma forma de conversão de humanos em demônios, mas posso estar enganado… não sei.

Herói de Mil Faces

jiinO que eu achei legal é ver a clássica jornada do herói sendo contada de novo, de uma maneira nova. Eu achei o roteiro muito criativo. Embora tenha elementos comuns, tais como apocalipse, herói resistente a ser herói e que conta com um tutor mais velho, demônios, pessoas fortonas, resistência, etc… o diferencial está em ver tudo isso junto, sendo bem feito, de forma coerente. Jinn tem uma criação original e profissional. Qualquer um pode escrever uma história com estes elementos. Fazer bem feito, é pra poucos. Eu gostaria até de ler um livro neste universo, porque a base foi bem estabelecida e a gente termina a revista esperando muito pela continuação. Não vou extender mais pra não correr o risco de mandar algum spoiler, mas pode comprar sem medo. Mas a primeira coisa que você precisa sempre considerar e é por isso que eu digo que é uma HQ excelente é que é desenhar e roteirizar um personagem que já existe é bem mais simples e fácil do que começar um personagem e todo um universo do zero. Não é apenas a história que você precisa criar, mas toda a “cama”. O mundo, o ambiente, a situação, a sociedade… a história daquele lugar onde se passa tudo. Antes de colocar o homem, Deus criou o mundo, certo ? Nas HQ’s é exatamente o mesmo.

CCXP

img_6231Embora eu tenha conhecido sobre o personagem antes, foi apenas la Comic Con Experience que a revista foi oficialmente lançada. E é claro que eu estava lá, já que queria o meu exemplar “fresquinho”. Cheguei sorridente na mesa do Felipe, que tinha seu parceiro e co-autor Matheus Lopes a seu lado e a minha já estava lá, me esperando. Comprei ! Mal podia esperar pra chegar em casa e ler. Achei muito legal ver uma fila de pessoas pra comprar a revista, muita gente esperava ansiosamente pelo lançamento de Jiin. Garanti meu autografo na hora !

Autores

vooAlém de ter o roteiro e traço do Felipe Watanabe, Jinn recebeu o cuidado de uma ação conjunta na sua argumentação. O colorista Matheus Lopes também é um dos pais do livro e toda a cor é dele. O rapaz sabe o que faz, tem uma percepção de profundidade muito boa e teve a sensibilidade de escolher uma paleta mais pastel, um amarelo avermelhado, que cai muito bem pro clima desértico apocalíptico que a revista apresenta. Tudo tem sujeira, noites são escuras, cores fortes, lisas, contra-balanceadas com sombreamentos e texturas pra profundidade.

Uma arte digna de Graphic Novel. Revista grande, capa acartonada, páginas em papel de qualidade. Jiin merecia realmente estar em uma publicação de linha, mensal. Porque este tipo de argumento é capaz de gerar muitas situações excelentes. Tem alguns momentos que me lembra X-Men 2099 ao mesmo tempo que atualiza tudo. E, cá entre nós: Quem não curte um apocalipse ?

Se você curte quadrinhos assim, esta revista precisa ser lida. Recomendo bastante !

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Abraços do Quadrinheiro Véio

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Eu Wolverine

Eu Wolverine

Olá Quadrinheiro.

Eu, Wolverine - Abril

E o artigo de hoje é da história do Wolverine que me fez conhecer e me apaixonar pelo personagem logo de cara. Ná época que eu li, foi no formatinho da abril, em 4 edições. E esta história simplesmente revolucionou minha cabeça de uma forma absurda. Eu, criança, lendo apenas umas HQ’s mais leves do Homem-aranha e companhia. No ano de 1982, este formatinho me fez viajar de tal forma que eu só queria ser o Wolverine… rs… Lembro que eu peguei um colo de cartolina duro, que era o miolo do novelo de lã da minha mãe, uma fita crepe e colei uns gravetos de bambu de fazer pipa neles. Colocava aqui nos braços e tinha as garras do Wolverine pra brincar… hehehehe… Bons tempos… A gente não tinha Wii e nem Kinect, então, tinha que viver o Wolverine na pele. Claro que eu levava uma surra dos amigos. Enquanto todo mundo fazia espadinha de cabo de vassoura, lá estava eu com 6 garras retráteis de bambu, de curto alcance… mas certamente eu era o que mais me divertia ! Tudo graças à esta HQ.

1098925Esta mini-série do Wolverine definiu o personagem de tal forma pra mim, que pra tudo que eu li dele depois eu me referencio nela. Desde os traços, aos movimentos. O comportamento, o temperamento e as atitudes disciplinadas ou não. Ela foi de tal importância que, pra mim, o melhor uniforme dele é o marrom e bege e as garras dele sempre ficam mais bem desenhadas como laminas de espada ninja. Tudo nesta HQ é perfeita. A cena do urso no começo, acompanhada da frase que marcaria o personagem pra todo sempre ” Eu sou Wolverine. Eu sou o melhor no que eu faço. Mas o que eu faço de melhor, não é nada agradável.” é a melhor definição do Logan já publicada. Rapaz, perdi a conta das vezes que eu repetia esta frase a vida toda. Imagine ser um leitor de HQ numa época que ninguém lia. Imagine um tempo em que ninguém conhecia esta frase… Hoje em dia Wolverine e vários outros heróis estão na moda. Mas nos anos 80, meu amigo, ninguém entendia lhufas do que a gente dizia. E mais ainda, você era considerado um nerd crianção. Como se não bastasse as boas notas na escola. Acho que foi apenas quando ingressei o ensino médio ( na época, segundo grau ) que conheci mais umas 3 pessoas numa escola com mais de 500 que liam HQ’s. A sensação de solidão se foi ! ( louco isso, né ? hahahahahaha ) Ter com quem falar sobre paixão é tudo de bom. Aliás, penso que muito da febre de futebol, carnaval, e outros gostos populares que existem se propagam e crescem por isso. Para que as pessoas possam ter com quem falar. Mas eu nunca gostei de futebol e carnaval, menos ainda… além de nerd eu era Heavy Metal… ( caraca… sempre excluido socialmente, né… hehehehe… de boa ). Então, encontrar pessoas que curtiam heróis foi muito legal. 
13-wolverine1-1aEu, Wolverine
é uma HQ obrigatória. Mais do que isso, é uma das primeiras mini-series focadas no Logan, que mostravam mais de sua vida além X-Men e que começou a definir um caminho pra sua personalidade. Começa a mostrar as coisas que ele se importa e começa a tirar um pouco daquela imagem de baixinho nervoso ( dizem que baixinho é mais bravo, porque o sangue sobe mais rápido pra cabeça…hehehehe ).

Vamos falar um pouco sobre a série. Já começa com o Logan no Canadá sendo ele mesmo. Primeiro ele vai atrás de um urso que havia matado umas pessoas e descobre que o urso estava envenenado e por isso, fora de si. Pelo cheiro da flecha do caçador, ele encontra o cara em uma cabana. Esta sequencia já vale a edição. Sem exageros. Em seguida ele vai pro Japão para encontrar uma namorada ( que a gente nem imaginava que existia ) e descobre que ela é de uma família de mafiosos ligados ao Tentáculo, um clã de ninjas assassinos mortais ( sentiu o peso, né ? ).  O pai dela é o líder do Clã Yashida e quer casar a filha para aumentar o poder da família, e o Logan não quer aceitar isso. Aliás, a condução de cena das batalhas de espada entre Logan e Lord Shingen são obras primas. O drama das cores, das sombras… foco, mudança, movimento… uma dança conduzida pela morte, narrada pelo próprio protagonista: – ” Eu arranco wolverine1sangue. Ele arranca ainda mais de mim.” Por aí, você já sente a encrenca, né ? Uma das grandes idéias desta mini-serie é a introdução da Mariko Yashida e de Yukio, a ninja assassina. Yukio tem a missão de matar o Logan, mas acaba se apaixonando. Tudo que a gente lê nesta história tem ligação com o Japão e seus costumes. Gosto muito deste toque heterogêneo : De um lado a disciplina e valores orientais japoneses e do outro, a raiva caótica do mutante canadense de alma selvagem. Existem momentos que a selvageria toma conta e Logan curte isso, se solta, abre sorrisos… ele é uma máquina descontrolada que gosta disso. Mas ao final, o lado homem vence, o amor dele por Mariko vence o torna digno e humano, integro. Com controle sobre sua selvageria. Mais uma vez, a sabedoria oriental, se auto-conhecer para se tornar pleno, prevalece. Uma história muito notável, emocionante, inteligente, gratificante. Perdi a conta de quantas vezes eu li e reli esta história nestes anos todos… naqueles gibis pequenos, com a capa solta… remendada com durex por um desesperado menino que curtia muito preservar suas coisas. Você pode imaginar que, embora ninguém hoje em dia pague 1 real por esta edição de 1982, eu não vendo a minha nem por uma Ferrari. Não é o que temos, mas quem somos, que no diz quem somos. Suas atitudes terão peso no mundo e não suas posses. Eu vivo por princípios. Por mais demodê que isso possa parecer.

edd5554c6cb622cf4d54c0aacfaff9ffAssinando o roteiro está o magnifico Chris Claremont. Eu não sei se preciso falar algo dele. Pra mim é o maior de todos os escritores dos mutantes da Marvel de todos os tempos. Insuperável. Existe sim todo um sentimento nostálgico na minha afirmação, mas é aquele esquema. Este é um blog de opinião e não tenho obrigação de ser neutro. Sei que muitos outros redefiniram muito os mutantes depois dele, mas o que este cara fez nos mais de 12-13 anos à frente das revistas mutantes, é definitivamente superior. E todo o estudo que foi feito por ele pra esta revista, definindo seu background, seu passado recente. Aquela medida entre manter o mistério mesmo revelando muito. Ele soube fazer e fez bem feito demais. Seus diálogos são tão barbaros, inteligentes, relevantes e cabíveis… este cara fez uma revolução nas revistas em série. E tendo Frank Miller pra dar vida e movimento às suas idéias, não tinha como não aclamar esta HQ como uma das grandes dentre as grandes. Frank Miller se esbaldou em duelos e movimentos. Acho que esta HQ foi de grande auxilio pra preparar Cavaleiro das Trevas em termos de profundidade de roteiro. Mesmo ele não tendo escrito, apenas desenhado esta série, ela está nos primórdios das mudanças que culminaram em HQs como Watchmen, 300, Gilgamesh, Cavaleiro das Trevas, Ronin… parece que o universo estava se preparando e começou com Eu, Wolverine.

ImortalExistem várias passagens do filme Wolverine Imortal que são baseadas nesta mini-série. Uma pena que a adaptação pro cinema não tenha ficado tão boa. Eu gostei do filme, mas não empolgou. O que considero muito triste, já que a história e o personagem merecem, e muito.

Se você tem alguma dúvida da importância histórica desta revista, espero ter ajudado a situá-la pra você entre as grandes produções da época. Ela consegue ser atual nos anos 80 e se manter com a mesma atualidade nos dias de hoje. Ela não fica datada, mas entender o momento mundial é importante. Leia com tempo, sem pressa. Aprecie as ilustrações ( se você conseguir, pois o ritmo é frenético ). Se permita emocionar com os personagens e entender que emoção não é apenas chorar, mas rir, sentir raiva, medo e inspiração.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

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