Surpreendentes X-Men – Perigoso

Primeiro gostaria de dizer que estou muito grato por esta Coleção Oficial de Graphic Novels da Salvat por ter me resgatado como leitor de HQ´s. Esta edição dos mutantes é uma das gratas surpresas do que eu perdi da casa das idéias durante estes mais de 15 anos de ausência em minhas leituras. Pelo jeito a maioria dos lançamentos são pós anos 2000 e por isso está sendo bacana ter tanto ineditismo pra mim. O que vem antes de 98 eu li praticamente tudo, então, é bom ser atualizado e saber que, mesmo sendo poucas histórias, foram feitas sagas muito boas.
Supreendentes X-Men: Perigoso, é a continuação da edição ‘Superdotados‘ ( que você pode ver uma análise minha aqui ) é uma destas gratas surpresas boas. Não digo que é uma das melhores que eu já li, mas é uma edição que faz a gente sentir tudo que gostaríamos de sentir lendo uma história dos mutantes. Talvez eu seja um tanto ranzinza por achar um pouco ‘politicamente correta‘, ou até o Wolverine meio ‘manso‘, mas encaixou bem na saga. Sou do tempo em que o baixinho atarracado era nervosão e só o professor X segurava a onda dele. Acho que o Dentes de Sabre tem razão quando diz que ele está ficando manso…. hehehe.
Situando: esta história republica as edições 7 a 12 da revista Astonishing X-Men lançados em 2004/2005. Ainda acho que a editora enriqueceria um pouco mais dando informações sobre a época do lançamento. 
Esta edição está mesmo muito boa e faz a gente entender a anterior que foi a ‘cama’ pra isso. Acho até que seria mais justo com a gente se tivesse sido lançado apenas em uma edição, com as 12 revistas. Claro que a editora precisa ganhar dinheiro e sabemos como anda complicado viver de publicações impressas nos dias de hoje. Em ‘Perigoso‘ vemos uma aventura digna dos mutantes da Marvel. Tem menos embromação e blá-blá-blá mutante e mais ação. O tema ‘preconceito’ está lá, assim como os conflitos internos da equipe e um Xavier mais falho como tem sido nos últimos anos, porém tem algo mais. Tem o Ciclope, que sempre foi revoltado, deixando esta revolta tomar conta de si. Vemos o aflorar de um sentimento que ele deixou recluso por muitos e muitos anos e nota-se que é uma panela de pressão prestes a explodir. Tanto que a cena que eu atribuí equivocadamente na analise anterior, em que ele detona quase meia floresta com uma rajada ótica está nesta edição e não na anterior como eu havia mencionado. ( sorry… misturei. )

É difícil escrever sem soltar spoilers e prometo que vou me esforçar pra não falar nada inadvertidamente. O que acho gostoso nesta edição é o medo que a gente sente. Gosto quando o autor faz a gente achar que alguém pode morrer, ou que eles estão tão indefesos que desta vez vão perder feio. No caso dos X-Men as vitórias deles nunca são simples, sempre que vencem um adversário, existem perdas. Sejam de membros do grupo, seja na ideologia, seja uma decepção interna. Algo sempre acontece, e o Joss Whedon manteve

isso. Gosto do Colossus desde sempre. Desde que o conheci numa aventura dos X-Men enfrentando o Arcade e logo depois em Secret Wars. Eu comprava Super Aventuras Marvel ( SAM ) pra ler o Demolidor e o Justiceiro e acabei conhecendo os X-Men e aos poucos fui aprendendo a gostar da equipe. E como a maioria, a paixão pelo carcaju foi enorme, seguido pelo Colossus e Ciclope. Gostava quando não eram tanto mutantes. Nos anos 90 tinha tanto mutante que eu comecei a achar um exagero. Entendia a mensagem, mas não era algo que divertia como antes. Esta edição é divertida. O ‘Perigo’ é real e este nome tem um motivo. Não vou estragar a surpresa de vocês, porque eu adorei ter a surpresa e a sensação de tentar adivinhar o inimigo secreto é uma delicia. E que inimigo engenhoso. Que desafio mais intransponível. Se fosse tão inteligente quando racional, os mutantes não teriam a menor chance. Tem uma passagem que todos quase morrem que eu perco o folego. Whedon é um gênio da manipulação. Quem leu sabe o que to dizendo. 

Tem diálogos muito ricos, inclusive um muito bem bolado entre o Peter e a Kitty. Ela projeta nele seus medos e inseguranças. A única coisa que não ‘colou’ muito bem, ao menos pra mim, é como está sendo fácil pro Colossus, após tanto tempo encarcerado e sozinho, voltar pra equipe como se nada tivesse acontecido. Acho que ficou meio forçado.
Outra coisa que poderia ser mais explorada é a escola após os fatos desta edição. Eu realmente fiquei a fim de saber o que vem depois. Vou pesquisar.
Agora, realmente os desenhos não me agradam. John Cassaday segue o mesmo traço e perspectiva da edição anterior e poucos quadros me agradaram. Ele tem movimento, tem um sombreado bacana e tudo, mas não gosto dos rostos. Tirando o Colossus, que ficou bem legal. Que sorte a minha… hehehe…
As cores estão legais e acompanham o clima da HQ.
Acho que é uma edição imperdível. Se não pegou, corre na banca pra ver se ainda tem.
Abraços do Quadrinheiro Véio !

Surpreendentes X-Men – Superdotados

Leio X-Men desde sempre, e confesso que na minha infância e adolescência

eu e meus poucos amigos leitores de HQ´s pronunciávamos ‘xis-men‘( heheheh ), não sabíamos a pronúncia correta e líamos assim, bem como diversos outros nomes de personagens. Este ‘sempre’ foi interrompido no meio dos anos 90, quando parei de ler tudo. Mas o principal motivo de eu ter deixado os X-Men foi o dramalhão mexicano que os argumentos das HQ´s estavam se tornando. Estava cansativo e repetitivo e sem perceber, parei de acompanhar.

Acho que pode ter sido por isso que eu demorei tanto pra pegar este exemplar na minha prateleira e finalmente me permitir a leitura e vejo que pouca coisa mudou. Não me entendam mal, eu gostei da edição, mas não achei sensacional ou surpreendente. Talvez pra quem não os conheça possa até ser uma grande história, mas pra mim, achei boa e só isso. Vou me esforçar pra explicar este ponto de vista nas próximas linhas e perdoe-me se ferir o gosto e opinião pessoal de alguém. Como sempre digo, respeito e acho que todas as percepções são válidas e aqui eu compartilho a minha, ok ?
Bom, dito isso, Os Surpreendentes X-Men: Superdotados começa de modo bem nostálgico, aparentemente buscando resgatar alguns personagens e fazer um link com leitores mais antigos, bem como atualizar os mais recentes. Temos o retorno da Kitty Pryde à Mansão X e Joss Whedon tenta restabelecer a escola como uma instituição educacional de pessoas especiais. Digo tenta porque fica meio vago. Entendo que é apenas um “pano de fundo” pra história, mas acho que poderia ter mais detalhes. Ficou bem cinematográfico, mas não de uma forma que eu achei que encaixou bem em um formato de HQ. HQ´s pedem mais detalhes funcionais, enquanto cinema são detalhes referenciais, apenas pra situar quem assiste. De qualquer forma, só pela intenção dele já achei legal.
Esta Graphic Marvel reúne as edições 1 a 6 de Astonishing X-Men de 2004. Ao que me parece, ela vem após os acontecimentos de E de Extinção, em que, mais uma vez, os X-Men se veem precisando reunir uma nova equipe. Os mutantes já

apresentaram a tal “segunda mutação“, e o Fera está com aquela aparência felina ridícula, a Emma Frost transforma o corpo em diamante e talz… Mas fora isso, a história anda bem. Gosto do ritmo, gosto de rever os “amigos” de outrora como a Kitty Pride, Nick Fury branco e o Wolverine e também gosto muito de ver o Ciclope botando pra quebrar. Embora mais descontrolado do que o normal, é bacana ver o líder natural dos mutantes assumindo seu posto. Tem uma passagem interessante em que, após um ataque devastador de sua rajada ótica, Ciclope ouve de Logan que as vezes é bom lembrar porque ele é o líder da equipe.

Vemos alguns momentos também que acontecem passagens desnecessárias, como o Logan brigando com o Fera e uns blá, blá, blá mutantes de sempre, mas que imagino que isso esteja de algum modo preparando o terreno pras histórias posteriores. Mas o que mais gosto é de ver o Colossus de volta. O mutante russo capaz de transformar seu corpo em aço orgânico é um dos meus preferidos e é bom ver ele de volta e arremessando o Wolverine. Foi certamente um ‘momento delicia‘. ( hehehehe )
Os desenhos são de John Cassaday e pra mim, não vi nada de mais. Ele resolve, e só. Não achei nada de extraordinário ou digno de nota, aliás, é mais um que parece que tenta fazer cada quadrinho parecer um poster ou capa. Não gosto. Mas, como disse, resolve. Conta bem. Ao menos não incomoda.
Resumindo, só é épico porque é mais um re-start nas HQ´s mutantes e tenta mais uma vez resgatar a glória dos anos Claremont, mas na minha opinião, não consegue. Na coleção da editora Salvat ela tem uma continuação que irei escrever em outro post, e que já adianto, eu gostei bem mais do que desta introdução. Acho que a verdade é que estou ficando velho pra tanto “nhê-nhê-nhê” mutante… hehehe….
Abraços do Quadrinheiro Véio !